
DIÁRIO DE BORDO DO HOSPITAL.
November 5th
Minha bolsa da Adidas foi somente com o celular, 2 barras de cereal (eu não imaginava que elas pudessem salvar a minha vida), balinhas, escova de dente, câmera fotográfica e só. Dei entrada as 7h30 e fui pro quarto, tentando imaginar que estava apenas me hospedando num hotel um pouco sofrido pela vida. Daí já vieram dois, uma infermeira e um infermeiro que começaram a raspagem...Também não imaginava que eu fosse tão peludo...Urgh, que situação, com a bunda virada pra Ana Maria Braga e os 3 com dor nas costas. Lógico que aparece uma daquelas infermeiras grossas que se sentem "a dona do Hospital" e diz assim: O que que é o dele? Que que ele vai operar? Já tratei de responder alto: DO CÚ, só isso? Ela mais que depressa voltou de onde veio.
Pronto, começou, ao mesmo tempo que me deram o famoso remedinho que a Dra. Mariana tinha recomendado pra me acalmar, também já foram "pluggando" o super soro na minha mão. Dois minutos e me dá uma náusea desgraçada, quando a infermeira disse "num vomita ni mim" num aguentei e vomitei. Alguém merece? Bom 15 minutos pra começar e tava lá a Mariana puxando assunto, disse que era amigo da irmã dela e também de uma muuuuuuuuulleeeeeerrrrrr loirhgrrrra ahhbluh ahlhabhhhgluggghhh (era a Renata), foi quando ela espetou a bunita da agulha nas minhas costas.
Acordei, sem saber a que estava alí, achando que ainda ia fazer a cirurgia e a Dorinha tava por perto, que me disse que já tinha feito e que faltava pouco. Foi nessa hora que percebi que minhas duas pernas, meu pipi e meu saquinho não existiam, tudo adormecido. (Essa foi a pior sensação que já passei em toda a minha vida) E demora, e eu querendo sair dali...Foi quando a Sinlézia, uma amiga da família apreceu me dando a maior bronca "você devia ter me falado que tava aqui" " você devia ter me chamado pra acompanhar na sala de cirurgia". A minha visão tava tão ruim e aquela mulher falando...contra a luz, eu já tava achando que era a bruxa má do Oeste, do Leste, do Nordeste, da puta que a pariu...uhhhh.
Cheguei no quarto e a maratona do "troca o soro" começou" muitas vezes, várias petelecos na minha mão. Comecei a ficar cada vez mais incomodado com toda a situação, sem a mínima paciência, com vontade de ir embora.
Quando Patricia e Manuel chegaram, definitivamente eu estava a beira de um colápso. Calafrio, e mal conseguia falar, uma sensação de morte, um horror. (pause para a trilha insidental)
...Antes disso a Patrícia e Manuel foram em casa. Falaram com a minha mãe e pegaram pijama e minha famosa marmitinha. Dentre as coisas estavam lá, um mamão inteiro+faca, uma pera e acho que uma maçã, e lógico um yogurte de potinho (atenção pra esse ítem)
Não tinha sabonete no banheiro e Manuel e Patrícia jogaram o yogurte numa pia, no meio dos corredores do hospital e roubaram aquele sabonete que fica no mesmo lugar dos lavabos, tudo no mesmo meio do crredor do hospital.
Voltando...Daí que a Patricia teve a idéia de me dar banho, e, confesso, foi a melhor coisa que podia me acontecer, mesmo com aquele perrengue de soro+dor+fio do soro pra tudo quanto é lado, valeu a pena, fui salvo. Eu já tava tão irritado, já tinha mostrado a bunda pra quase o hospital inteiro então nem me importei dela segurar aquela fralda de curativo enquanto enfiava metade do corpo dentro do chuveiro (pelo menos ele era quente)
Daí chegou Marcelo e nossa, fiquei até emocionado, tava querendo vê-lo pra reclamar que tavam me tratando muito mal e que eu estava sofrendo pur-di-mais !
Quando percebi que tinha uma marmitinha e que já tava ha quase 20 horas sem comer nada além de Chá e torradas, logo pedi adivinhem o que? Lógico, yogurte...E os lokos começaram a dar risadas sem parar...
Os 3 ficaram lá, na surdina depois de quase 1 hora do horário de visitas. Pra sair, filme de terror porque as portas estavam fechadas e nada do guardinha. Hospital a noite vira filme de terror, daqueles mais macabros, só falta gente morta aparecer nos corredores. Minha sorte é que tinha uma espécie de infermaria bem na frente do meu quarto, a luz ficava ligada. Foi a segunda noite sem dormir porra nenhuma porque o infermeiro (segundo a Patrícia, foram eles que contrataram e pagaram um Go-go boy pra trocar meu soro a noite inteira) ficava trocando o soro de 30 em 30 minutos, fora os famosos petelecos pro sanfue num subir.
Tava quase me esquecendo que achei uma jarra de água e bebi quase inteira, minha bexiga virou um balão e qual não foi minha surpresa quando descobri que mesmo querendo, num conseguia fazer uma gota de xixi, inferno. Daí foi passando o tempo e uma infermeira desgraçada disse que se eu não conseguisse, ia chamar um "negão" pra me colocar sonda...Mais que depressa disse a ela que já estava tudo bem, mas ela teria que fazer uma força pra trocar meu colchão já que eu tinha mijado na cama. (era brincadeira, mas a cara dela valeu a pena)
Quando Patrícia chegou em casa com Manuel e Marcelo, contaram pra minha mãe (que já tava despirocando) que tava tudo bem, que eu já tinha acordado e que tudo tinha ficado bem. Minha mãe perguntou: "Mas ele te reconheceu então?"
Agora tô aqui. 10 dias sem dirigir, 30 dias sem esporte algum, 15 dias sem esforços físicos e sem sexo....
Enfim, a vida que eu pedi a Deus...hewhehehe
Isso sem contar que estou usando CAREFREE, um antigo desejo...kakakakaka
Agora vou passar RIMEL nos 3 olhos....
A gente, no hospital depois que minha amiga me deu banho eu melhorei entaum deu pora fazer piadas do tipo...
Eu queria absorventes CUNHABAS....porque se CUNHABAS fosse bom num comecava com CÚ...
Dai saiu outra...
SE FOSSE CUNHABAS, QUE FOSSE BRANCA , porque CUNHABAS vermelhas sempre dáBICHO !
Isso sem contar eu reclamando muito de estar "descabelado" Patricia disse que as GERBERAS escondiam os cabelos no velório e Marcelo imendou com GEL-BERAS, já que eu estava acostumado. Mesmo de mal gosto, demos muita risada.
Ufa ! Passou ! e=)